Nós passamos uns anos ouvindo que “o rádio estava morrendo” e acreditando nisso. A mídia criada em 1920 foi (e ainda é) a companhia de muitas pessoas, até pela forma mais democrática como chega a quem tem um aparelho de rádio ou um celular. Hoje, cem anos depois, parece que o áudio ainda (ou voltou a ser) o formato queridinho dos brasileiros com a chegada dos podcasts. 

Quando começaram a se popularizar, principalmente entre os jovens, a conversa de que o rádio estava acabando mudou de figura. O Spotify investiu em campanhas divulgando os produtores de conteúdo em áudio e exaltando o poder da escuta em 2019. Segundo o relatório State of the Podcast Universe, publicado pela Voxnest, nós lideramos o ranking de países onde a produção de podcasts mais cresceu desde o início de 2020. Até o momento, o Top 3 é ocupado respectivamente pelo Brasil, Reino Unido e Canadá. Além disso, os podcasts em língua portuguesa também foram os que apresentaram o maior índice de crescimento: 103% desde janeiro.

Em julho deste ano, quase quatro meses depois do início da quarentena no país, o Spotify divulgou resultados sobre o consumo de podcast no segundo trimestre no Brasil. Você pode se espantar, mas o aumento foi de mais de 50%. E o rádio? Uma pesquisa do Kantar Ibope Media, divulgada em março, revelou que 71% dos brasileiros afirmaram ouvir a mesma quantidade de rádio ou mais após as medidas de isolamento social, enquanto 20% disseram ouvir muito mais rádio após o início da quarentena. 

O que poderia explicar esse comportamento? O mesmo que explica o sucesso do rádio: aproximação. Muito mais do que ouvir música ou notícia, ouvir pessoas conversando e sentir que estão falando com você, cria uma sensação de companhia. E isso, numa situação de pandemia e mais de sete meses de isolamento social, é muito valioso. 

Alguns fatores contribuem para esse aumento, como ser um “rádio on demand”, que facilita que a pessoa escolha o melhor momento para ouvir, pausar e retomar quando quiser, sem perder nada caso precise interromper o programa. A possibilidade de fazer isso enquanto desempenha outras atividades sem precisar da sua atenção visual e a possibilidade de download para ouvir sem comprometer dados de internet são outras causas que podemos citar.

Além disso, um ponto que impacta diretamente no cenário de 2020 é a fadiga visual. Com a rotina intensa em reuniões online, por conta do home office, e a exposição excessiva a telas, o podcast se torna uma opção para quem quer descansar o sentido visual e trabalhar o auditivo – e a imaginação.

Quem está conhecendo os podcasts agora está maravilhado. Mas, desde 2014, no dia 21 de outubro, é comemorado o dia nacional do podcast, como iniciativa para promover a divulgação do formato no país (o dia internacional do podcast é em 30 de setembro). A data escolhida não foi à toa: 21 de outubro marca o dia da publicação do primeiro podcast nacional, o Digital Minds, criado por Danilo Medeiros, em 2004. 

Pelo Google Trends, que mostra o volume de busca por termos, é possível ver o aumento repentino para “podcast” de 2019 até agora. O gráfico abaixo mostra desde 2004. 

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E você que trabalha no mercado publicitário, sendo agência ou empresa, pode estar se perguntando: como eu ganho com isso também? 

Assim como o investimento em influenciadores digitais, que são um tipo de publicidade estabelecida numa relação de confiança e nicho, os anúncios em podcasts podem ser muito vantajosos para marcas que querem se aproximar de seu público. O mapeamento é importante, assim como a criação de um formato de anúncio mais orgânico, com fit certo para o canal, desenvolvido de forma personalizada com os apresentadores. Os formatos podem variar de acordo com cada podcast, entre fazer uma ação pontual, patrocinar um episódio, uma coluna… 

Entre os exemplos de ações de grandes empresas em podcasts está a Natura, que criou uma minissérie em quatro capítulos focada no universo feminino em parceria com o Mamilos, um dos podcasts mais populares do Brasil. O Bradesco é um dos patrocinadores do projeto “Histórias de ninar para garotas rebeldes”, podcast baseado no best-seller que conta a trajetória de 100 mulheres que realizaram feitos extraordinários. E o Itaú Unibanco criou o Investcast, podcast dedicado aos seus acionistas e que funciona como uma imersão no mundo dos investimentos

Sendo a grande tendência da publicidade atualmente, é preciso inserir sua marca de forma sutil, e as pessoas nem vão perceber que estão consumindo uma propaganda, sem que seja bruscamente interrompido e, ainda, que seja do interesse dela. Mais do que nunca, o conteúdo é a chave do sucesso.