O terceiro e último dia do Fórum E-commerce Brasil 2020 não podia ter sido mais inspirador!

A sequência de palestras trouxe reflexões sobre presente e futuro com muito olhar para a humanização e empatia. Entre as principais preocupações dos lojistas está o aproveitamento de conteúdo da loja física para o digital. Segundo Benjamim Thompson, da Endeavour Drinks Group, criando conteúdo, entretenimento e inspirações para engajar os clientes e manter a relação sendo consultores de informação. Para marcas que disponibilizam atendimento personalizado em loja física, como no segmento de vinhos, a solução foi criar conteúdos online para manter essa consultoria, vídeos com dicas e sugestões, influenciadores com receitas, como Thompson contou.

Rodolfo Chung, da Ambev, contou sobre como a empresa Zé Delivery, do grupo, teve seu auge por estar preparada antecipadamente para a demanda durante a quarentena. Ele destacou que a pandemia não criou nenhuma tendência totalmente nova, ela só acelerou o que a gente já vinha percebendo e trabalhando. Neste cenário, antever necessidades é fundamental para montar estratégias para o futuro.

Representando a Dafiti, Philipp Povel e Malte Huffmann dividiram a tela para compartilhar informações sobre dados e inteligência artificial no mercado eletrônico. Para Philipp. o Brasil não tem uma estratégia dedicada de inteligência artificial, mas estamos crescendo nisso. E é importante para empresa e consumidor, porque quanto mais dados uma empresa gera, melhor o conteúdo oferecido, maior o lucro: gera um ciclo virtuoso. E Huffmann alerta para um passo anterior:

“Para começar a trabalhar com inteligência artificial é preciso, primeiro, mudar o mindset de toda a equipe e estar capacitado digitalmente para isso.”

Rappi e Mercado Livre, duas empresas com atuação notável durante a quarentena, estiveram juntas no mesmo painel para compartilhar experiências. Luiz Augusto Vergueiro, do Mercado Livre, defende que a experiência do comprador precisa ser muito próxima à que ele tem na loja física, de quando sai feliz com o produto em mãos. E dá dica para quem vai começar e-commerce:

“Esteja sustentado na tecnologia, com processos muito bem desenhados e definidos, com pessoas conectadas ao seu propósito”.

Fernando Vilella, da Rappi, acrescenta que e você entrega uma experiência “wow”, o cliente ainda compartilha com os amigos, gerando o um círculo. E aponta a vantagem das Dark Stores (no caso da Rappi, trouxe para o Brasil o conceito de Dark Kitchens): não existem preocupações com ponto físico, como relevância da localização, estrutura do ponto de venda, mobiliário, arquitetura etc. É um formato eficiente, em que você tem o ganho logístico e financeiro, porque o custo de tudo diminui.

A palestra mais emocionante do dia trouxe para consideração de forma prática tudo o que estava sendo dito em unanimidade no evento: precisamos estar próximos das pessoas. Suzana Apelbaun, brasileira diretora criativa do Google, mostrou a importância de analisar seres humanos antes de analisar dados para ter insights mais efetivos – e afetivos. Para ele, o consumidor está cada vez mais esperto, ele percebe quando você não está sendo autêntico. No encerramento, deixou uma reflexão:

“As expressões mais buscadas todos os dias no Google Translate são: ‘como vai’, ‘obrigado’ e ‘eu te amo’. Isso mostra que as pessoas estão em busca de conexão, gratidão e amor. E, nesses tempos em que estamos vivendo, saber disso nos inspira a seguir.”

Mais dados surpreendentes foram apresentados por Fábia Juliasz, de pesquisa da Rede Globo, principalmente sobre o aumento do consumo por entretenimento com crossmedia, ou seja, com grandes impactos nas diferentes redes sociais, assim como um comportamento inesperado de público: os mais velhos se digitalizaram e os mais novos, avessos à mídias tradicionais, se abriram para a possibilidade da TV aberta. Segundo a pesquisa apresentada, atributos sociais passaram a ter mais peso na decisão de compra e consumo; 65% passou a consumir de quem se posicionou positivamente, e não com viés oportunista. 

O tão aguardado Steve Wozniak, co-fundador da Apple, encerrou o evento cheio de inspirações bem humoradas. Ele valorizou o esquema open source, que diz que se você cria uma coisa, tem que abrir para outras pessoas agregarem, trocarem. Segundo ele, o excesso de controle prejudica todos. E deixou uma recomendação que podemos usar para refletir e aplicar neste momento:

“Tudo o que eu fiz na minha vida que foi produtivo, tinha o humor como base. Mesmo que você esteja fazendo algo que você não gosta de fazer. (…) Seja transparente em tudo que você fizer na sua vida. Verdade é a essência. Se alguém tiver uma ideia melhor, abra a mente, escute, reconheça, incorpore novas ideias, seja honesto”

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