No mês de maio, o Facebook lançou globalmente um serviço de vendas dentro dos seus próprios aplicativos – o Facebook e Instagram Shops.

Esse lançamento já era previsto, mas foi acelerado por causa da pandemia da Covid-19. A iniciativa surge como concorrente da Amazon e outros marketplaces e apresenta funcionalidades que prometem facilitar o processo de digitalização de negócios de todos os portes. Ainda como beta no Brasil, plataforma poderá ser acessada a partir da loja na página da loja no Facebook e no Instagram, além dos Stories e anúncios.

Telas de demonstração do recurso de loja.

Mas o que se pode esperar com esse lançamento? No Brasil, algumas funcionalidades estão sendo liberadas em primeira mão como beta para o Grupo Agilità, do segmento de moda, que é nosso cliente na Adtail. A Marina Nascimento, Mídia responsável pela conta da aqui na agência, fez suas primeiras observações sobre o recurso.

1º: encanto e organização

Independentemente do porte ou orçamento da empresa, o Facebook Shops nasce como um canal direto entre lojas e consumidores através dos seus aplicativos mais conhecidos. Sem a necessidade da instalação de novos apps e contando com a familiaridade das plataformas, a loja foi desenvolvida para ser facilmente configurada e organizada. 

Se antes a marcação de produtos nas publicações oferecia pouco controle e nenhuma categorização, a primeira observação é justamente a possibilidade de customizar a loja, com maior alinhamento estético à marca – site, campanhas, conteúdo orgânico e anúncios – assim como a organização de produtos em coleção. 

“Ao invés de se deparar com todos os produtos do catálogo da marca, misturando roupas de festa e casuais, por exemplo, vai conseguir encontrar as mesmas categorias e agrupamentos feitos no site. Dessa forma, além de poder navegar de forma mais organizada, o cliente também consegue visualizar a ampla gama de categorias e estilos que a marca disponibiliza.”

Marina também explica que, a médio prazo, esse formato de apresentação e o maior controle por parte do vendedor podem ajudar a aumentar a taxa de conversão da loja, justamente por oferecer maior noção da variedade de produtos, fazendo com que o consumidor passe a considerá-la para categorias que até então desconhecia. 

2º: testes no Brasil

As atualizações do recurso de lojas ainda estão sendo testadas para uma posterior implementação no país. Para experimentar alguns dos recursos, o Grupo Agilità, foi a primeira marca convidada a aplicar as funcionalidades de personalização do layout e uso da loja como destino do clique em anúncios nas redes. A expectativa, segundo Marina, é incrementar as vendas, destacando melhor os argumentos já utilizados nas outras mídias e possibilitar que as clientes conheçam novos produtos e diferentes coleções através da plataforma. Para o Coordenador de Conteúdo e Marketing da marca, Gabriel Rabelo, as primeiras impressões são positivas.

“O processo de implementação da ferramenta foi simples e bastante intuitivo – em poucos passos conseguimos deixar a loja pronta e funcionando no Shops do Facebook e do Instagram”

Telas do recurso Loja no Instagram Agilità

3º: Integração e conexão

Entre as novidades previstas para os próximos meses na plataforma, estão as integrações com outros aplicativos da companhia como WhatsApp, Messenger e Instagram Direct.

É verdade que o contato entre marcas e clientes através desses canais não é novidade. No entanto, uma integração entre as plataformas pode oferecer aos consumidores mais segurança e confiabilidade, principalmente àqueles que não costumam comprar através de canais digitais, possibilitando acompanhar as etapas e realizar um pós-venda mais eficaz. 

“Além disso, principalmente em marcas de luxo, o consumidor gosta de um atendimento mais personalizado, o que pode ser feito via Whatsapp ou Messenger, pelo SAC ou pelas vendedoras.” 

4º: Sem fee, muitos dados

Não havendo check out através da plataforma (opção disponível apenas nos Estados Unidos), o Facebook promete que não haverá cobranças pelo negócio. O modelo de monetização da plataforma continuará sendo por anúncios. Ao invés de cobrar pela plataforma, a empresa aproveitará os dados coletados nas vendas para aprimorar os anúncios direcionados.

Lembramos que antes mesmo deste novo produto, já era possível promover produtos na loja do Instagram, inclusive marcando-os em publicações. A ampliação dessa opção para o Facebook de forma mais organizada não deve apresentar potencial para grandes impactos na performance de anúncios, mas Marina Nascimento alerta que é preciso sempre estar atento à importância das vendas omnichannel, ressaltando a assistência que campanhas e mídias dão a vendas que não são last click.

“O Facebook costuma ocupar, de maneira geral, um espaço importante na visibilidade das marcas, contribuindo para conversões diretas e compras por buscadores.”

5º: Papel para pequenos negócios e a pandemia

Por ser uma ferramenta fácil e intuitiva, o Facebook Shops oferece aos pequenos comércios, ainda não tão ativos virtualmente, uma oportunidade para digitalizar seu negócio com agilidade e a baixo custo

A ferramenta abre a possibilidade de explorar todo o potencial de vendas, exibindo não só o produto, mas agregando valor a ele. Uma loja de confecção, por exemplo, além dos produtos, pode trabalhar com tendências ou estilos voltados a perfis diferentes de clientes. Isso pode fazer com que um consumidor tenha contato com outros produtos ou categorias e complementar sua compra, aumentar o ticket médio, o reconhecimento da marca e a conexão dele com a marca. 

Lançado mais cedo por causa da pandemia, o Facebook Shops possibilita ainda que pequenas empresas, provavelmente as mais afetadas pelo isolamento social, consigam manter suas vendas de forma on-line de maneira fácil e prática mesmo que com menor profundidade e estoque durante a crise. Isso, para muitas delas, pode representar a diferença entre seguir aberta ou não, além disso, os consumidores que se encantarem virtualmente poderão conhecer a loja física e quem sabe tornarem-se clientes fiéis.

Leia também a matéria de lançamento do recurso feita pelo Facebook, disponível em inglês.