
Há algum tempo atrás, lançamos um texto falando sobre como os anúncios no ChatGPT estavam chegando, mesmo com a OpenAI dizendo inicialmente que eles não seriam implementados.
No nosso texto anterior, já tínhamos uma boa ideia de que os anúncios iam chegar, e também fizemos predições sobre seu posicionamento e aspecto, de acordo com uma análise do código fonte do ChatGPT para Android.
Mas isso é passado. Os formatos especulados se confirmaram, a plataforma de Ads já está criada e os primeiros anúncios apareceram no Brasil em agosto de 2026.
As perguntas que ficam são:
- Histórico: como chegamos até aqui;
- Como anunciar no ChatGPT e quais são os formatos?
- Quais são os formatos disponíveis?
- Quais são os mecanismos de Analytics disponíveis;
- Quais são os próximos passos para os anúncios?
Essa terceira pergunta é uma das mais importantes, porque a evolução das LLMs está indo em outra direção, muito diferente dos textos: os agentes.
Vamos responder essas três perguntas agora, começando com a mais importante de todas:
Histórico do ChatGPT Ads no Brasil
O Brasil foi o oitavo país do mundo a receber o ChatGPT Ads. Logo depois, o foco passou para a Europa, que ainda em agosto recebeu o modelo em mais 31 países.
Essa foi a primeira onda dos anúncios, e fomos incluídos nela pela gigantesca popularidade das LLMs por aqui.
Em fevereiro, o Brasil era responsável por cerca de 5% do tráfego do ChatGPT, sendo o terceiro colocado no ranking de países que mais usam a ferramenta no mundo.

A FreshLab, blog brasileiro sobre desenvolvimento e marketing, traz uma conclusão interessantíssima sobre a viabilidade do modelo.
O blog apontou que logo no primeiro mês, os cinco maiores grupos controladores de agências de marketing digital do Brasil — BETC Havas, Publicis, Monks, WPP e Omnicom — já estavam presentes no piloto. Os primeiros anúncios vieram de agências dessas marcas.
Ou seja: não há a menor discussão sobre a aceitação do ChatGPT Ads. Ele já nasceu com os maiores contratos possíveis no Brasil.
A principal questão é entender se o grande público — incluindo aí principalmente anunciantes independentes — vai abraçar essa nova forma de anunciar.
Nossa aposta é que sim, por dois motivos principais: bom placement e bom Analytics.
Vamos conversar melhor sobre isso no tópico abaixo. Vamos lá?
Como anunciar no ChatGPT em 2026?
Antes de passarmos para os formatos disponíveis e mergulhar melhor na dashboard que o ChatGPT Ads oferece, um tutorial rápido de como fazer sua conta.
Primeiro, vá até o site do GPT Ads e crie uma conta de anunciante. Se você já tem um perfil na OpenAI, a plataforma recomenda que você crie outro, com um e-mail de negócios.
Depois disso, você vai precisar adicionar os dados da sua conta. Nada muito complicado:

A OpenAI determina que cada negócio tenha a sua conta, da mesma forma que funciona no Google Ads.
Assim, se você é uma agência, vai precisar controlar os usuários e senhas de todos os seus clientes individualmente. As contas precisam ser na modalidade “Empresa” para configurar anúncios.
Depois disso, sua conta de anunciante já está ativa, e você já vai ter acesso à dashboard, podendo criar seu primeiro anúncio imediatamente.
Mas para ter acesso a questões como faturamento e o acompanhamento do Analytics, é necessário, obviamente, ter a primeira campanha configurada.
Para configurar essa primeira campanha, é importante entender os formatos que o GPT Ads está oferecendo aos anunciantes. Veja mais logo abaixo:
Quais são os formatos disponíveis no ChatGPT Ads?

No momento, só há um formato disponível para o ChatGPT Ads: o anúncio abaixo da resposta.
Esse anúncio contém os seguintes elementos:
- Nome do anunciante;
- Favicon (logo);
- Título do anúncio (headline);
- Copy do anúncio (descrição curta);
- Configuração de landing page para o clique;
- Um criativo de imagem.
O anúncio ideal se parece com o seguinte exemplo:

Um ponto importante: os anúncios não vêm diretamente nas respostas! Não há nenhum link adicionado diretamente na resposta, apenas esse formato (por enquanto).
Além da aparência dos anúncios, ainda há algumas diferenças de configuração. O GPT Ads oferece:
- Custo por clique (CPC);
- Custo por mil (CPM);
- Otimização para alcance (combina com o CPM);
- Otimização para clique (combina com o CPC);
Mas há um outro ponto fundamental para analisar também: o GPT Ads não faz anúncios nas respostas principalmente porque não é possível, para o anunciante, saber o teor dessas conversas.
O que nos leva a dúvida: sem saber como o usuário se comunica com o ChatGPT, e sem nenhum outro sinal fornecido pela plataforma, como funciona o targeting?
Por exemplo: o Google e a Meta oferecem otmização por cookies de terceiros, remarketing com base em sinais de interesse, etc.
Se o GPT Ads não usa as conversas como dados, como segmentar para o público alvo? Vamos entender agora. Acompanhe:
Como funciona o targeting do ChatGPT Ads?
Estamos acostumados a trabalhar com palavras-chave no Google Ads, mas o ChatGPT Ads vem com uma abordagem diferente, bem mais simples, e com um sistema bem diferente no lugar.
Esse sistema de targeting pensando no contexto, chamado de context hints, não permite ao anunciante ter acesso a qualquer tipo de dado do usuário.
O que o anunciante pode fazer é descrever para a ferramenta, na base do prompt, quais são os contextos de conversão do anúncio. Ou seja: o que o anúncio está entregando, para quem o anúncio é orientado, etc.
Há duas formas de encarar essa maneira de lidar com o targeting:
- É uma evolução natural da IA nos anúncios. O context hints promete fazer o targeting de acordo com o seu prompt descritivo. A ideia é que você descreva, como em um briefing, qual é o seu público, segmento, etc. E a IA identifica sozinha o target. Isso não é novidade, o pMax consegue aprender sozinho, por exemplo. Mas não há prompts;
- É um passo atrás na segmentação. Sob esse outro ponto de vista, não poder controlar o público-alvo dos anúncios é um grande problema. Entre todas as adtechs, o ChatGPT é a única que não oferece uma forma de analisar diretamente segmentos do público-alvo, e escolher em qual anunciar.
A ideia do context hints parte do pressuposto que a OpenAI não pode analisar diretamente conversas dos usuários.
Ou seja, para fazer uma segmentação como é no Google Ads e no Meta Ads, o ChatGPT precisaria fornecer dados de conversas para os anunciantes.
Nesses dois tipos de anúncios, as interações na plataforma são o produto. Mas no GPT Ads, o produto é a capacidade da LLM de entender o contexto da conversa e exibir seu anúncio.
O que precisamos saber, a partir daí, é o quanto o sistema de analytics é robusto. Porque senão corremos o risco de cair em nichos altamente competitivos sem nem perceber.
Vamos dar uma olhada agora nessa parte do serviço:
Como é o analytics do ChatGPT Ads?

Por enquanto, o Analytics do ChatGPT Ads é bastante simples, oferecendo:
- Impressões;
- Cliques;
- Valor gasto;
- CTR;
- CPC médio;
- CPM médio;
- Conversões.
Mas o pixel já está disponível, e já é possível configurar UTMs específicos para acompanhar conversões pelo GA4, com atribuição personalizada.
Essas atribuições precisam ser configuradas diretamente no link da Landing Page que você adiciona no Gerenciador de anúncios do ChatGPT.
Ou seja: ao invés de adicionar a Landing Page como meusite.com, que é a URL original, você já pode adicionar UTMs ao final — meusite.com/?UTM=gptads — sem precisar criar uma tag específica no gerenciador do GPT Ads, apenas configurá-la no Tag Manager.
Conclusões fundamentais sobre o ChatGPT Ads no Brasil
Entendemos, então, que os anúncios do ChatGPT são bastante expansivos, mas ao mesmo tempo ainda bastante “jovens”.
As funcionalidades dos anúncios, como vimos, provavelmente vão passar por alterações no futuro, mas elas não devem ser muito grandes, expansivas a ponto de reinventar o que estamos vendo agora.
O próprio Google Ads, quando nasceu como Adwords, tinha uma estrutura diferente, mas muito similar a que vemos hoje: anúncios no topo da pesquisa.
O GPT Ads, por mais que mude, provavelmente vai manter essa estrutura e esses formatos. A maior mudança no futuro pode vir com links patrocinados dentro da resposta, algo que a OpenAI nega querer implementar no futuro.
Esse modelo de anúncios muda um pouco o cenário de Ads no geral se pensarmos nele como o modelo dominante.
Ou seja: se esse for o modelo mais popular daqui pra frente, até mesmo desbancando o Google Ads clássico, muitas estratégias vão mudar nas mídias pagas.
Vamos conversar sobre essas mudanças logo abaixo. Acompanhe 5 mudanças principais que os anúncios em IAs trazem, caso dominem o cenário de marketing:
1 — Menor visibilidade em métricas
O ChatGPT Ads entrega menos métricas que suas contrapartes, muito também por conta do próprio modelo, que funciona a partir de outros sinais.
Veja um quadro comparativo logo abaixo:
A dificuldade no targeting se mostra aqui também, no conjunto de funcionalidades oferecidas pelo Analytics.
E além dela, a questão dos termos de query, ou palavras-chave. Esse ponto ainda não foi solucionado e provavelmente nunca será, pois o ChatGPT Ads opera a partir de parâmetros diferentes, que não envolvem esses termos.
Então há uma dificuldade bem clara aqui de trackeamento mais aprofundado por falta de âncoras sólidas e por falta de dados reais — não há nem palavras-chave nem segmentação geográfica.
Isso deixa o jogo mais abstrato e o trabalho mais desafiador. O que nos leva ao próximo ponto:
2 — Foco no fail fast
Pelo menos por enquanto, fazer análises mais aprofundadas sobre um grupo de anúncios ou campanhas completas fica mais difícil com o ChatGPT Ads.
Alguns dos pontos de análise são completamente impossíveis de medir, inclusive. Veja, por exemplo, uma conclusão bastante comum no Google Ads:
- Esse grupo de anúncios teve uma taxa de conversão mais baixa para a pesquisa com essa frase específica, no mobile. No desktop, ela se manteve na média.
O Analytics do GPT Ads não fornece relatórios por demografia, geografia, palavras-chave,, a possibilidade de otimizar para conversão com dados, etc. Isso dificulta a análise e a interpretação do que vem acontecendo com as suas campanhas.
E ao mesmo tempo, acaba priorizando a criação de campanhas mais simples nesse momento inicial, que são testadas com orçamento mais baixo e vão aumentando gradativamente.
Mais sobre isso logo abaixo:
3 — A descrição da situação ao invés da correspondência exata
Esses pontos, assim como vários outros, são explicados pelo modelo de dicas contextuais substituindo as palavras-chave.
O jogo realmente muda quando levamos isso em consideração. A era da correspondência exata pode estar se encaminhando para o fim.
Pensando em campanhas que você tem rodando aí hoje mesmo, é bastante provável que você faça a separação por áreas de acordo com as buscas feitas no Google, com as palavras-chave.
Ou seja, se você trabalha com CRM, seus anúncios são separados por:
- Comparativo de CRMs;
- CRM com disparo de e-mails automático;
- CRM com IA;
Dentre outras descrições do seu produto. Isso não existe no ChatGPT Ads.
O que você está descrevendo nele é a situação da pessoa que está fazendo a busca, às vezes a própria persona de marketing:
- Diretores de marketing que estão buscando por alternativas ao CRM que eles já têm, falando especificamente de diferenciais que ele não vê no seu atual, mas que busca em um novo. Esses diferenciais incluem disparo de e-mails, apoio de IA, segmentação de leads.
Seus grupos de anúncio agora são separados por intencionalidade na conversa. Ou seja: você precisa de especialistas discursivos mais do que especialistas em métricas.
Esse movimento é totalmente esperado, porque as IAs são interfaces de conversa. O mais complicado é que quanto mais amplo é o critério de criação do anúncio, mais difícil será a mensuração por falta de métricas específicas.
4 — O grande slow down
Não é mais possível colocar uma campanha para rodar em vários canais ao mesmo tempo e simplesmente esquecer.
Ou seja: o ChatGPT Ads não é mais apenas um canal. Ele exige um cuidado diferente, cada campanha precisa de um mini-briefing que se torna basicamente a campanha.
Esse exemplo que demos aí no item anterior. Esse é um mini-briefing para o ChatGPT Ads. Você vai precisar criar outros e testá-los constantemente.
No Google Ads e Meta Ads, bons conjuntos de anúncios são frequentemente replicados e só vão ser analisados mais de perto em caso de discrepâncias.
Com o ChatGPT Ads, cada grupo de anúncios vai ser criado individualmente, com calma, e acompanhado bem mais de perto.
5 — A era dos anúncios Dark Funnel
Isso nos leva a uma era em que o acompanhamento das métricas não é o suficiente para criar e melhorar campanhas de anúncios nas IAs.
A verdade é que a conversa com as IAs é Dark Funnel: não conseguimos saber o que as pessoas pesquisam, e não conseguimos saber o que as IAs entregam.
O mais próximo que chegamos na estrategização é analisar citações no orgânico e cliques nos anúncios.
O que as IAs vão fazer com esse modelo é criar um Dark Funnel monetizado. Os anúncios vão aparecer em conversas com as IAs que não temos acesso e não vamos ter.
Isso é completamente diferente do modelo atual, que se sustenta a partir de dados.
Ainda precisamos de mais tempo para entender o que essa revolução gera no marketing. Se vamos ver uma preferência das maiores marcas por esse modelo, enquanto as menores continuam no básico.
Para entender melhor, precisamos nos aprofundar no assunto, especialmente no Dark Funnel.
Para sua próxima leitura, considere o texto logo abaixo, e vamos seguindo na investigação:
➡️ O que é Dark Funnel? Como impactar a jornada oculta no B2B
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