
Dizer o que é a gestão da reputação online é até um pouco desnecessário. A maioria dos empreendedores e marcas reconhece que é fundamental entender como as pessoas pensam sobre você, seus serviços e seus produtos.
Porém, algo que pouca gente sabe é como sistematizar essa gestão. Responder comentários é fundamental, mas muitas vezes parece que isso é o que nós mais fazemos como profissionais. Não há outras ações que podemos tomar?
Com certeza. O mundo da gestão da reputação é bastante abstrato. É difícil saber exatamente o que fazer além do básico, que costuma ser responder comentários e pesquisar pelo nome da marca no Google.
O texto de hoje é sobre isso. Vamos conversar sobre o que é necessário fazer para medir sua reputação online, e também sobre como melhorá-la.
Vamos lá?
O que compõe a reputação online de uma marca?

A reputação de uma marca, é claro, está diretamente relacionada com como as pessoas percebem a marca.
Isso é óbvio. O que talvez não seja tão óbvio são as ramificações da boa — e da má — reputação.
As pessoas conversam sobre a sua marca em outros ambientes além do digital. Elas conversam umas com as outras.
No marketing B2B, por exemplo, a reputação da empresa carrega uma força bem maior do que o conteúdo que ela produz e o seu próprio marketing. A reputação muitas vezes é o que fecha o contrato.
E considerando o Dark Funnel — vale a pena ler sobre o assunto, por sinal — também entendemos que a reputação de uma marca a carrega em situações onde ela não consegue chegar.
Não existe marketing da sala de café. Aliás, existe: a reputação da sua marca.
Antes da gente começar a conversar sobre como ter uma boa reputação na era da IA — esse é o verdadeiro assunto — precisamos conversar sobre o que exatamente compõe a reputação de uma marca.
Assim vamos poder seguir no assunto com muito mais clareza.
Vamos lá:
Percepção pública acumulada ao longo do tempo
A reputação de uma marca não nasce em campanhas específicas, nem é criada por um único conteúdo bem-sucedido.
Ela é um ativo acumulado, construído pela soma de interações, expectativas atendidas ou frustradas e narrativas que se repetem ao longo do tempo.
Essa percepção pública não depende apenas do que a marca diz sobre si mesma, mas do que o mercado aprendeu a esperar dela.
Em contextos B2B, essa expectativa prévia frequentemente antecede qualquer contato comercial formal. Quando alguém entra em uma negociação, a reputação já chegou antes.
A percepção pública, que é ampla, é gerada a partir de:
- Consistência entre discurso e prática ao longo do tempo;
- Repetição de experiências semelhantes relatadas por diferentes pessoas;
- Memória coletiva criada em fóruns, grupos, eventos e conversas privadas;
- Histórico de decisões, posicionamentos e respostas a crises
Experiência real entregue ao cliente
Não existe reputação forte sustentada apenas por branding ou comunicação. A base estrutural da reputação é a experiência concreta entregue ao cliente.
Em mercados mais maduros, o que mais circula não são elogios genéricos, mas relatos específicos de como a empresa se comporta quando algo dá errado.
Esses relatos moldam a reputação de forma muito mais profunda do que qualquer promessa institucional.
É por isso que os cases são tão necessários na construção da reputação da marca. E é triste ver que esse aspecto da criação de um site é deixado de lado pela maioria das marcas.
Clientes valorizam e repassam as seguintes experiências:
- Qualidade percebida do produto ou serviço no uso real;
- Atendimento em situações críticas ou de conflito;
- Capacidade de resolver problemas sem transferir responsabilidade;
- Sensação de respeito ao tempo, dinheiro e inteligência do cliente
Conversas externas e o boca a boca invisível
Grande parte da reputação de uma marca circula fora dos canais que ela controla.
Conversas em salas de café, grupos fechados, eventos, mensagens privadas e reuniões informais formam um ecossistema de influência impossível de mapear completamente.
Esse é o coração do Dark Funnel. A marca não participa da conversa, mas é julgada nela. Não existe campanha capaz de competir com uma recomendação espontânea — ou com um alerta negativo — feito em um ambiente de confiança.
O boca a boca invisível acontece em:
- Recomendações informais entre decisores;
- Alertas e ressalvas compartilhados em círculos fechados;
- Histórias que se repetem com pequenas variações;
- Impressões transmitidas sem intenção explícita de vender ou convencer
Presença e coerência nos ambientes digitais
Embora a reputação não se restrinja ao digital, é nele que boa parte das evidências públicas se acumulam.
Avaliações, comentários, respostas da marca, conteúdos antigos e posicionamentos ficam registrados e acessíveis — inclusive para sistemas de IA.
A reputação online não é apenas o que está publicado, mas a coerência entre tudo o que permanece disponível. Incoerências acumuladas, mesmo pequenas, enfraquecem a percepção de maturidade e confiabilidade.
Essa presença é principalmente notada em:
- Avaliações públicas e comentários recorrentes;
- Tom e postura da marca em respostas públicas;
- Conteúdos antigos ainda indexados e citáveis;
- Coerência narrativa entre diferentes canais e épocas.
Autoridade percebida no mercado
No B2B, reputação e autoridade caminham juntas. Uma marca com boa reputação não é apenas bem-vista, mas reconhecida como referência — alguém que entende o problema melhor do que a média.
Essa autoridade raramente vem de slogans. Ela surge quando o mercado passa a usar a marca como parâmetro, exemplo ou fonte informal de validação. Em negociações complexas, isso reduz risco percebido e acelera decisões.
Como a autoridade é percebida normalmente:
- Capacidade de explicar problemas complexos com clareza;
- Reconhecimento por pares e concorrentes;
- Citações espontâneas em conteúdos e conversas externas;
- Associação da marca a boas práticas do setor
Narrativa construída sobre a marca, não pela marca
Toda marca carrega uma narrativa que não controla completamente. Essa narrativa é construída pelo mercado a partir de fatos, experiências e interpretações. Quando a narrativa externa entra em choque com a narrativa oficial, a reputação sofre.
Marcas maduras entendem que reputação não é impor uma história, mas sustentar comportamentos que façam a história se repetir naturalmente. Na era da IA, essa narrativa passa a ser sintetizada, resumida e reproduzida por sistemas que não ignoram contradições.
Bases de composição:
- Histórias recorrentes associadas à marca;
- Adjetivos mais frequentemente usados para descrevê-la;
- Expectativas que antecedem o contato comercial;
- Diferença entre como a marca se define e como é definida.

É possível medir a sua reputação online?
Antes da gente passar para os pontos que vão te ajudar a melhorar a sua reputação online, precisamos conversar rapidamente sobre como fazer a medição de como está a sua reputação.
Esse trabalho existe e é bem documentado na internet, inclusive com plataformas especializadas.
A questão é que a natureza do trabalho varia muito de marca para marca, mídia para mídia. Em muitos casos, as ferramentas vão possibilitar a criação de um método. Mas esse método é seu. Você deve criá-lo.
Como entendemos até aqui, a experiência de clientes com a marca é o ponto principal da reputação. A partir dela, a interação entre cliente e marca que gera a interação é dividida em quatro pontos principais:
- Se a marca é percebida;
- O que falam sobre a marca;
- O que as pessoas sentem sobre a marca;
- Qual é a autoridade da marca dentro do seu mercado.
Esses quatro pontos constroem a autoridade, como vimos no tópico anterior. A mensuração, então, precisa passar por eles.
Para facilitar essa análise, separamos aqui métodos e ferramentas para cada uma dessas etapas. Acompanhe logo abaixo:
Se a marca é percebida
Antes de discutir se a reputação é boa ou ruim, é preciso responder à pergunta mais básica: a marca está sendo percebida?
Em muitos mercados, especialmente B2B, o maior risco reputacional não é ser mal falado, mas simplesmente não ser lembrado ou citado.
A mensuração nesse ponto busca identificar presença, recorrência e distribuição das menções.
Não se trata de volume absoluto, mas de entender se a marca aparece de forma consistente nos ambientes onde o mercado conversa.
Ferramentas e métodos indicados:
- Brandwatch para mapear menções em grande escala e identificar recorrência ao longo do tempo;
- Talkwalker para capturar presença em mídia digital, notícias e canais institucionais;
- Google (Google Trends e buscas por marca) para entender interesse ativo e crescimento de branded search;
O que falam sobre a marca
Uma vez confirmada a presença, o passo seguinte é entender o conteúdo das conversas.
Reputação não é construída por menções genéricas, mas por narrativas que se repetem. O foco aqui é identificar padrões discursivos: temas recorrentes, elogios consistentes e críticas estruturais.
Essa análise revela como o mercado descreve a marca quando ela não está tentando se descrever.
Ferramentas e métodos indicados:
- BuzzSumo para identificar conteúdos externos que citam a marca e quais narrativas ganham tração;
- Ahrefs para mapear páginas, artigos e comparações que contextualizam a marca;
- SEMrush para analisar buscas do tipo “marca + problema”, “marca + concorrente” ou “marca + vale a pena”;
- Leitura qualitativa manual de reviews, comentários e artigos-chave, algo que nenhuma ferramenta substitui completamente
O que as pessoas sentem sobre a marca
Aqui entra a camada emocional da reputação. Não basta saber o que é dito; é preciso entender como isso é dito.
Sentimento não é apenas positivo ou negativo — em muitos casos, neutralidade fria é mais preocupante do que críticas construtivas.
Esse eixo é fundamental para detectar desgaste, confiança, frustração ou admiração genuína.
Ferramentas e métodos indicados:
- Brandwatch e Talkwalker para análise automatizada de sentimento e sua evolução histórica;
- Reclame Aqui para entender frustração real, reincidência de problemas e postura da marca;
- Trustpilot para capturar padrões emocionais em avaliações estruturadas;
- Análise manual de respostas da marca a críticas públicas, um dos sinais mais fortes de maturidade reputacional
Qual é a autoridade da marca dentro do mercado
Autoridade é o ponto onde reputação deixa de ser apenas percepção e passa a influenciar decisões.
Uma marca com autoridade não é só bem avaliada — ela é usada como referência, comparação ou fonte de validação.
Medir esse ponto exige olhar para quem cita a marca, em que contexto e em relação a quem.
Ferramentas e métodos indicados:
- G2 e Capterra para medir autoridade comparativa em mercados B2B;
- Meltwater e Cision para monitorar presença em mídia qualificada;
- Similarweb para contextualizar visibilidade e relevância frente aos concorrentes;
- Testes recorrentes em IAs generativas para observar se a marca aparece como referência, exemplo ou ressalva.
Como melhorar a reputação online se sua marca estiver com problemas

Um ponto que a gente precisa tratar aqui é o que fazer caso sua reputação não esteja muito boa na internet.
Existem alguns cenários diferentes que vamos tratar aqui:
- Marca desconhecida: por incrível que pareça, esse é o pior cenário de todos. Em alguns casos, é até melhor ter uma marca conhecida, porém com problemas de reputação, do que uma marca que ninguém nunca nem ouviu falar;
- Marca sem impacto: é até conhecida pelo nome, mas não é conhecida por um diferencial. É a marca que está no mercado, mas por não ter algo que sobressaia às outras, é tida como a segunda opção. Se não tem diferencial, ele costuma ser atribuído automaticamente: “é mais barato” ou “vamos testar pra ver se é tão bom quanto o concorrente”;
- Marca com reputação negativa: a marca é mau vista no mercado por qualquer motivo. Talvez a experiência dos clientes não tenha sido tão boa. Talvez a marca tenha se posicionado em alguma polêmica e acabou insultando seu público-alvo.
É importante entender que a gestão da reputação bem feita busca resolver esses problemas antes deles começarem.
Geralmente, o trabalho de gestão da reputação precisa ser pensado bem antes das campanhas subirem. Ele deveria ser considerado um esforço de branding.
A situação, porém, raramente é assim. A maioria das marcas começa no mercado apenas com os produtos e com bastante fé. Quando esses problemas surgem é que elas vão pensar na gestão da reputação.
De qualquer forma, vamos conversar melhor sobre como resolver cada um desses problemas agora. Me acompanhe:
Quando a marca é desconhecida
Aqui o trabalho começa com geração deliberada de sinais reputacionais, não com otimização de campanha. O objetivo é criar material suficiente para que o mercado consiga formar uma primeira leitura minimamente estruturada da marca.
Isso envolve presença intencional, narrativa clara e evidências iniciais que sustentem existência, seriedade e coerência.
A prioridade não é escalar visibilidade, mas evitar o vazio reputacional, que costuma ser interpretado como risco, imaturidade ou irrelevância. A marca precisa existir antes de poder ser julgada.
Ações práticas:
- Garantir presença consistente nos ambientes onde o público pesquisa e valida decisões;
- Produzir conteúdos que expliquem o problema do mercado antes de falar da solução;
- Trabalhar branded search para associar marca + categoria desde o início;
- Coletar e publicar relatos reais, mesmo em volume baixo;
- Priorizar constância e clareza, não alcance ou viralização.
Quando a marca é conhecida, mas não gera preferência
Neste cenário, o desafio não é visibilidade, é indiferenciação. A marca já é percebida, mas não ocupa espaço decisório relevante. Ela entra no funil como alternativa secundária, opção de segurança ou teste — nunca como escolha natural.
O trabalho aqui exige reposicionamento prático: reduzir ambiguidade, assumir um recorte claro e aceitar que diferenciação implica perder apelo genérico. Reputação forte nasce quando o mercado consegue explicar, em poucas palavras, por que aquela marca existe.
Ações práticas:
- Definir um diferencial real, específico e defensável;
- Eliminar mensagens genéricas que poderiam servir para qualquer concorrente;
- Alinhar discurso comercial, conteúdo e experiência do cliente ao diferencial;
- Estimular comparações favoráveis feitas por terceiros;
- Reforçar atributos onde a marca é objetivamente melhor, não apenas “boa”
Quando a marca carrega uma reputação negativa
Aqui o foco não é comunicação, é correção estrutural com visibilidade controlada. Reputação negativa raramente é fruto de um único erro; ela se consolida quando problemas se repetem ou quando a marca responde mal a eles.
A prioridade é interromper o padrão que gera críticas, demonstrar evolução real e permitir que o mercado observe essa mudança ao longo do tempo. Sem evidência concreta de correção, qualquer discurso soa defensivo ou oportunista.
Ações práticas:
- Mapear críticas recorrentes e identificar causas operacionais reais;
- Corrigir processos antes de ajustar narrativa pública;
- Responder críticas com consistência, respeito e transparência;
- Substituir promessas por evidências progressivas de melhoria;
- Manter histórico público de respostas e aprendizados
Antecipação como prática contínua de reputação
A gestão de reputação mais eficiente acontece antes do problema virar conversa. Isso exige leitura constante de sinais fracos, feedbacks menores e mudanças sutis de percepção que ainda não explodiram publicamente.
Quando reputação é tratada como infraestrutura — e não como reação — a marca ganha tempo, margem de erro e credibilidade. O custo é disciplina; o retorno é estabilidade.
Ações práticas:
- Monitorar menções, sentimento e padrões narrativos continuamente;
- Tratar pequenos atritos como indicadores estratégicos;
- Criar rituais internos de leitura da percepção externa;
- Integrar reputação, branding e experiência do cliente;
- Ajustar posicionamento antes que o mercado force o ajuste
Reputação como reconstrução sustentada no tempo
Independentemente do cenário inicial, reputação não se resolve com ações isoladas. Ela se reconstrói por repetição coerente, observável e consistente.
O mercado não exige perfeição, mas exige previsibilidade e aprendizado visível.
Na prática, isso significa aceitar que reputação melhora quando o comportamento muda — e permanece mudado tempo suficiente para ser percebido, lembrado e replicado em conversas externas.
Ações práticas:
- Trabalhar reputação como processo contínuo, não projeto pontual;
- Garantir alinhamento entre discurso, produto e experiência;
- Medir evolução por padrões, não por picos ocasionais;
- Sustentar decisões reputacionais mesmo fora de momentos de crise;
- Entender que reputação é construída na repetição, não na exceção
Gestão da reputação na era da IA: princípios básicos

A era da IA traz uma nova realidade para a gestão da reputação de uma marca.
Agora, pesquisar sobre qualquer marca é muito simples: basta abrir o ChatGPT e perguntar.
Isso é bom, mas também é ruim.
É bom porque sua marca iniciante não depende mais de SEO. Se o seu site não aparecesse na primeira página antes do ChatGPT existir, você não ia ser encontrado.
Agora, sites indexados são encontrados pelo GPT com facilidade, não importa a página. Então, se o seu site está na internet e aparece no Google, mesmo que não apareça na primeira página, é muito provável que ele vai ser encontrado pela IA.
A questão maior aqui é como isso acontece. Esse é o lado ruim da gestão da reputação na era da IA.
As IAs são máquinas de vieses. Elas não têm opinião própria e o que elas ditam como fato passa apenas por um crivo interno antes de ser determinado como fato mesmo. E esse crivo interno é da própria IA.
Então, se você tem muitas reclamações no Reclame Aqui de 2, 3 ou 4 anos atrás, a IA vai identificá-las e usar essas reclamações para fazer um panorama geral sobre sua reputação ao ser perguntada.
Isso se resolve com GEO — Generative Engine Optmization.
O problema é que esse assunto é muito longo para esse texto aqui, que já está no final.
Que tal a gente seguir essa conversa no artigo que fala especificamente de GEO? Acompanhe logo abaixo:
➡️ SEO vs GEO: o que é diferente e o que é igual?
Posts recentes
Nosso blog tem conteúdos semanais feitos por especialistas

Liderança de pensamento na era da IA: princípios avançados

Sistema antifraude no e-commerce: tutorial + exemplos

Canais de conteúdo que ficaram mais interessantes pós-IA
Torne seu marketing digital mais estratégico
Agende uma conversa e receba o contato da nossa equipe. Temos um time de especialistas em desenvolver soluções e entregar resultados.
